A ARTE DE LIDERAR

Por Pe. Luiz Cássio Moreira

A arte de liderar é um desafio. Quem está à frente de uma organização, uma empresa, uma família e uma paróquia tem a responsabilidade de tomar decisões muitas vezes difíceis. O artigo do padre e missionário Paolo Manna[1] dá algumas dicas para todos nós que somos de algum modo ovelhas e pastores:

“Vocês devem ser benévolos com todos, mas, particularmente, com os seus superiores, que são seus verdadeiros pais em Cristo. Não aborreçam os seus superiores com a desobediência, as murmurações ou com o pouco caso. Se soubessem quanto devem sofrer no cargo que ocupam! Se soubessem quantas angústias, aflições, preocupações, temores custam o bom governo das casas e das missões! Quantas vezes os superiores têm o coração amargurado e, para salvaguardar a caridade, não podem falar, não podem dar explicações para alguns de seus atos e disposições que são injustamente criticados! Se os superiores, mesmo aqueles que falham e especialmente estes, fossem sempre objeto da benevolência, do respeito afetuoso dos co-irmãos, se não se sentissem objeto de lamentos e críticas… quão melhores condições para exercer seu cargo!

Oh! Quanto desagradam ao Coração de Jesus esses missionários que, mesmo sob o pretexto de bem, não deixam passar ocasião para externar críticas e desaprovações!

Se temos algo a lamentar ou a desaprovar nos superiores, antes rezemos e invoquemos as luzes do Espírito Santo, depois façamos a nossa observação ou também as nossas críticas de maneira amiga, leal, construtiva, mas sempre com muito respeito e afetuosa benevolência. Desta forma, não pecaremos e sim edificaremos. O que fazer quando algumas vezes não somos atendidos e continuamos com a impressão de que nossas observações são importantes? Nesse caso, podemos ainda dirigir-nos aos superiores maiores do Instituto. Feito isso, devemos ficar tranquilos, pois não temos mais responsabilidades.

Sejamos cuidadosos para não disseminar ou atiçar a não estima pelos nossos superiores. Esta é uma obra sumamente nefasta, pois quase sempre as paixões predominam; não se edifica, mas se destrói, para grande satisfação do inimigo das almas, porque, em última análise, quem ganha na turbulência das nossas relações com os superiores e co-irmãos é só o demônio. Muitas vezes se viram, na Igreja, vocações perdidas, comunidades arruinadas, missões destruídas pelo demônio da insubordinação e da discórdia. Por pura ironia, os autores de tantas ruínas sempre afirmaram de serem levados por um grande amor ao bem e por um zelo notável pela glória de Deus! Ao contrário, eles acabaram caindo no perigo indicado por São Paulo: “Mas se vós mordeis e vos devorais reciprocamente, cuidado, não aconteça que vos elimineis uns aos outros” (Gal 5,15) e acabaram destruídos! Temamos muito o demônio da discórdia e da revolta. Mesmo que não provoque grandes estragos, pode deixar perturbações que colocam em risco as vocações.

Circundem, pois, os vossos superiores de grande benevolência; são chamados de superiores, mas de fato são nossos servos por amor a Jesus: “eles velam pessoalmente sobre as vossas almas e disso prestarão contas” (Hb 13, 17); não os entristeçam, não os amargurem porque entristecerão a Jesus, que eles representam: “quem vos despreza, a mim despreza” (Lc 10,16). Não há dúvidas de que o afeto, o respeito, a benevolência, que vocês nutrem para com os superiores, especialmente se não são do seu agrado, atraem sobre vocês e suas obras as bênçãos do Senhor porque essa atitude deve supor um sublime ato de fé, que Jesus recompensa generosamente.

Nos nossos relacionamentos recíprocos, é preciso levar em conta o quanto podem interferir “os nossos nervos”. Muitas vezes não se leva em conta esse ponto e se julga como má vontade ou maldade o que seria apenas uma simples explosão de um estado de irritabilidade do sistema nervoso. Nas missões, especialmente nos países quentes, os missionários estão sujeitos a ter o sistema nervoso comprometido e se tornam facilmente sensíveis e irritadiços. Quando, por razões de clima ou de esgotamento provocado pelo excesso de trabalho, os nervos estão tensos e à flor-da-pele, torna-se difícil ser sempre amável e benévolo com os irmãos. Em tais casos, que, infelizmente, são frequentes, precisa fazer o máximo esforço para um autocontrole, especialmente se for o superior. Os superiores são devedores a todos e devem possuir uma maior força de controle sobre si mesmos.

Por outro lado, sabendo que o nosso irmão, o nosso superior anda nervoso, temos um motivo a mais para praticar a benevolência e a consideração, não o colocando à prova, usando maneiras gentis e palavras benévolas. Quanta matéria de virtude e de santificação para todos também nestes casos!”

[1] Paolo Manna. Virtudes Apostólicas, PIME, PP.05-98