ANESTESIA – mitos e verdades

Por Camilo Cardoso dos Santos (médico anestesiologista)

Na prática diária do nosso trabalho como anestesiologista, somos abordados com diversas perguntas sobre a anestesia. Muitas têm origem em um passado quando esta especialidade nem existia ou ainda nem era reconhecida.

Daí criou-se o mito da insegurança da anestesia em relação à vida. Falar a verdade sobre a anestesia é estimulante e vibrante, pois prezamos diariamente pela qualidade e segurança nos procedimentos, ajudados pela tecnologia da monitorização e também pela evolução farmacêutica dos medicamentos. Assim, esperamos esclarecer diversos mitos e falar a verdade sobre esta especialidade médica tão nobre, que tanto preza pela sua vida.

O que é anestesiologista?

É a especialidade médica que consiste em estudar e proporcionar ausência de dor e outras sensações desagradáveis ao paciente que necessita realizar procedimentos médicos, como cirurgias, exames, diagnósticos ou que precisam de tratamento para dor aguda e crônica.

Quem aplica a anestesia?

A anestesia é aplicada por um anestesiologista. Ele tem que ser especializado na área e autorizado de forma legal para exercer a anestesiologia.

O que faz o médico anestesiologista?

O médico anestesiologista tem papel essencial durante o procedimento cirúrgico, pois além da função natural de retirar a sensação de dor para que o ato seja suportável ao ser humano, também pode promover o alívio da ansiedade, angústia e stress diante de exames diagnósticos.

Assim, o médico anestesiologista tem a missão de cuidar da vida do paciente. Monitorar o estado geral do paciente, seu nível de consciência, pressão arterial, pulso, respiração, devendo sempre estar atento a qualquer alteração. Em resumo, ele é o responsável por manter as funções vitais do paciente em níveis seguros.

Quais os tipos de anestesia?

Existem três tipos de anestesia:

  1. Anestesia local: uso de anestésico local, aplicado somente no local da cirurgia.
  2. Anestesia regional: quando apenas uma região do corpo é anestesiada. Com anestesia regional o paciente pode ficar dormindo ou acordado, conforme a conveniência. Um exemplo de anestesia regional é a anestesia para cesariana, que pode ser a peridural ou raquidiana.
  • Anestesia geral: faz com que o paciente fique totalmente inconsciente durante a cirurgia. Pode ser aplicada por via intramuscular, endovenosa ou inalatória.

Como o paciente deve se preparar para uma anestesia segura?

Realizar a Consulta Pré-anestésica é o primeiro passo. O anestesiologista faz parte de uma equipe que concentra as informações médicas a respeito do paciente. Portanto, durante esta consulta você poderá contar sua história ao anestesiologista: se você fuma, se toma bebidas alcoólicas, se possui alguma doença, se toma medicamentos e quais, se possui problema alérgico, ou se teve alguma experiência desagradável com anestesia. Isto lhe dará mais segurança e tranquilidade. Não deixe de perguntar quais são os exames de laboratório necessários, horário de internação e jejum.

Não deixe de pedir esclarecimento e orientação sobre o tipo de anestesia a que você deverá ser submetido.

Informe ao seu médico anestesiologista se você tem, ou já teve doenças como asma, diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca ou infarto do miocárdio. Raros são os medicamentos que precisam temporariamente ser suspensos, antes da cirurgia. Quem decide isso é o médico anestesiologista.

Se o paciente usa alguma droga ilegal como cocaína, crack, maconha, faz uso de estimulantes ou anabolizantes, ou ainda é portador de doença infectocontagiosa, ele não deve deixar de falar com o anestesiologista sobre isso. Como médico ele tem obrigação legal de guardar segredo profissional.

Qual o risco de uma anestesia? 

Novas medicações, equipamentos modernos, muitos anos de estudos e pesquisas reduziram imensamente os acidentes ou complicações de uma anestesia, mas é claro que eles nunca chegam a zero. Há fatores de risco por vezes imponderáveis associados não só à anestesia, como à própria operação, às condições hospitalares e à condição clínica do paciente. Pacientes com doenças não tratadas ou descontroladas podem apresentar um maior risco na anestesia. Mesmo assim, o médico anestesiologista tem como prevenir complicações, desde que tenha conversado e examinado o paciente. O anestesiologista, além do conhecimento e da especialização médica, emprega toda sua perícia e experiência clínica para o sucesso completo da operação a que você está se submetendo. Para maior operação dos pacientes, os hospitais modernos contam com equipes e equipamentos próprios para emergência e cuidados críticos, o que reduz ainda mais os riscos de acidentes graves.

Existe algum “teste” de alergia usado para quem vai tomar anestesia?

Não! Não existe “teste” de anestesia, a exemplo dos testes utilizados para identificar alergias.

Por que é necessário o jejum?

Os alimentos que engolimos, líquidos ou sólidos, não entram na traqueia porque dispomos de mecanismos de defesa que fecham sua entrada, fazendo com que se dirijam ao estômago. Durante a anestesia, estes mecanismos de defesa são bloqueados e, na eventualidade de ocorrerem vômitos, o alimento poderá entrar nas vias respiratórias e provocar complicações pulmonares muito graves. Portanto, não coma e nem beba qualquer coisa. O jejum inclui alimentos sólidos e líquidos por no mínimo de 6 a 8 horas antes da cirurgia. Lembre-se: a água está incluída no jejum.

O que devo fazer no dia da anestesia?

Não coma e nem beba qualquer coisa. É para ficar em jejum mesmo! Remova de sua boca quaisquer peças dentárias móveis como dentadura e pontes, especialmente as de menor tamanho. Não use cosméticos ou produtos de beleza.

Não leve para o hospital, muito menos para a sala de operações, qualquer tipo de joias ou relógios. Além disso, retire alfinetes, grampos de cabelo, perucas, cílios postiços, lentes de contato, esmalte de unha e outros objetos.

Se você for fumante inveterado, pelo menos reduza ao máximo o número de cigarros consumidos diariamente. Siga corretamente as orientações de seus médicos.

Quanto custa uma anestesia?

Depende bastante da operação, do tempo de trabalho e da complexidade. Mas se você é paciente particular, tudo será discutido, com antecedência, sem surpresas, se você possui algum convênio, verifique se o anestesiologista é credenciado, se for, serão seguidas as regras e exceções do convênio.

Caso não seja, converse como será efetuado o pagamento e como você poderá ser ressarcido pelo convênio. Procure saber antecipadamente se o seu médico lhe dá direito à consulta pré-anestésica e cirurgia a que você irá se submeter. Seu médico anestesiologista e seu convênio poderão lhe dar essa informação.